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Relatos

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RELATOS DA PRÁTICA NA ESCOLA

Ø      PREPARANDO O TRABALHO - 1º encontro:

Iniciei a prática fazendo uma conversa informal com os alunos, apresentando-me e ouvindo suas respectivas apresentações. Em geral não tivemos muitas dificuldades, porque já trabalho nesta escola e até o ano passado era supervisora da instituição e a professora parceira já havia falado sobre o trabalho que desenvolveria.

A turma é bastante receptiva e pareceu ser muito dinâmica, falante e participativa.

Em seguida, expliquei que faríamos um trabalho um pouco diferente do que estavam acostumados e provoquei uma conversa em torno das suas curiosidades. Para sensibilizá-los um pouco mais, pedi para que observassem as figuras que estavam dispostas no chão e pensassem se alguma delas despertava curiosidade. Neste momento tive a primeira surpresa, uma menina chamou-me discretamente e disse:

Professora, eu não preciso observar estas figuras. A senhora quer que a gente pense numa dúvida que temos, não é isso? Então, eu quero estudar sobre vulcão. Sempre quis saber sobre isso, só vejo na televisão e a professora do ano passado disse que não era a hora de estudar isto ainda. Agora dá, não dá?”

Escutei todo aquele depoimento e dei conta do que muito lemos até agora na pós, só que estava com uma testemunha de toda esta “tragédia” que fazemos enquanto escola (às vezes por omissão, comodismo, outras por falta de conhecimento) na vida das crianças. ( Por que será que estes professores não propiciam estas aprendizagens para seus alunos? O que falta para valorizar àquilo que eles gostariam de aprender?)

Enquanto isso, os demais estavam andando em volta das figuras e analisando àquelas imagens.

Quando voltaram aos seus lugares, distribuí tiras de papel para escreverem a sua dúvida/ curiosidade; e eles fizeram-na. Alguns demonstraram um pouco de receio, medo de escrever, retratando que já estão acostumados a responder questões prontas; não de fazê-las.

Bom, mas depois de algum tempinho, todos escreveram suas questões e uma outra preocupação surgiu: “Preciso colocar nome?” – a maioria dos alunos perguntou.

Eu disse que não, desde que cada um reconhecesse a sua pergunta mais tarde. Então, dei um balão a cada um deles. Colocaram os papéis com as perguntas dentro, encheram e foi a maior festa... brincamos um pouco com os balões e, estouraram os balões pegando a pergunta que estava dentro do mesmo.   (onde está o lúdico destas crianças?)

Iniciamos a leitura das questões e fomos agrupando-as por interesses. Os temas abordados foram os seguintes:

·        ANIMAIS

·        GUERRA

·        MULHERES

·        ÍNDIOS

·        TRANSFORMAÇÕES DA NATUREZA

·        CARROS

Depois da distribuição e agrupamento das questões no quadro, os alunos organizaram-se nos seus respectivos grupos e foram conversar sobre o que já sabiam e o que ainda era preciso investigar, em torno daquelas questões. Em seguida, passei nos grupos anotando as dúvidas e certezas provisórias ( disponível no wiki dos alunos).

 


 

 

 2º ENCONTRO:

 

Hoje, dia 23 de março, tive o segundo momento de encontro com a turma. E, como no último dia, percebi que eles estavam afoitos para irem ao laboratório de informática, reservei a aula de hoje para explorarmos a máquina.

Levamos (eu e a professora parceira) todos para o laboratório e começamos do básico mesmo: como ligar a máquina, abrir o Word, digitar pequenas frases experimentando o uso de letras maiúsculas e minúsculas, como colocar acentos, como mudar o parágrafo, como apagar, uso do espaço, pontuação e como acessar e realizar buscas na Internet.

As duas horas passaram “voando”; mas foi bastante válido, porque agora eles já têm mais condições de iniciar a pesquisa, propriamente dita, e possivelmente de mexer no Cmap.

Pude observar que eles ficaram muito contentes, estavam deslumbrados com a idéia de aprender a lidar com o computador, já que nenhum possui uma máquina em casa. A grande dificuldade ainda, é conseguir dividir o espaço com o colega, saber dividir o tempo em que um vai digitar, por exemplo, enquanto o outro apenas dita.

Quando terminou o nosso tempo, não queriam retornar para a sala de aula.

 


 

 3º ENCONTRO: (26/03/07) –  TURNO OPOSTO

Hoje começaram o trabalho da pesquisa, propriamente dito. Foram divididos no seu grupo de trabalho e iniciaram as buscas no Google.

Todos conseguiram começar a coleta de alguns dados para o trabalho, faziam a leitura e iam selecionando aquilo que consideravam interessante, quando existia dúvida, chamavam-me.

De todos, apenas um grupo apresentou dificuldade para realizar a tarefa de forma coletiva, eles ainda não conseguem dividir o espaço físico com os colegas – todos querem ficar sentados frente ao computador e mouse – nem organizar qual a dúvida que irão investigar primeiro; querem procurar a sua. Mesmo com este impasse, foi possível realizar a tarefa inicial, a diferença é que eles não conseguiram registrar nenhum tópico, ficaram na leitura.

Dois aspectos que me chamaram a atenção é que eles têm uma forte resistência para ler, pois para a grande maioria o laboratório de informática ainda é sinônimo de joguinhos e no momento que eles precisam registrar algo, querem colocar no papel primeiro, mesmo sabendo que mais tarde será necessário digitar para organizar a postagem na máquina.

Observação: Nestes primeiros momentos estou deixando eles escreverem no papel, já que estão motivados com a pesquisa.

 

 


 

 

  4º ENCONTRO:( 29/3/07) - TURNO OPOSTO

 

Hoje, fizemos uma exploração no Cmap Tools e já saíram os primeiros mapas; foi mais fácil do que eu imaginava, mais uma vez fui surpreendida: eles conseguiram executar os mapas, claro que ainda não diversificaram e não ocuparam muito as ferramentas disponíveis. Mas alguns já foram mexendo e fazendo tentativas. Crianças são sempre crianças...

O que prova que muitas vezes nós, professores, é que temos medo de ousar, de levar outras alternativas de trabalho. Por parte dos alunos, em grande parte das vezes o experimentar não é o problema, mas sim a solução.

A única dificuldade foi atender a todos, tendo em vista que é uma ferramenta nova. Eles faziam as tentativas  e queriam atenção a todo momento e como a professora parceira não está ativa na proposta foi um pouco tumultuado este encontro.

 

 


 

 

 5º ENCONTRO: (29/3/07)

 

Agora à tarde, dividimos a turma em dois grupos, já que a professora parceira não acompanhou-me até o laboratório de informática. Considerei que fosse necessário esta separação para que conseguisse explorar melhor as ferramentas com os alunos, então atendi primeiro três grupos e depois outros três grupos. Desta forma, consegui salvar os mapas criados por eles e continuaram a pesquisa que, agora, se encaminha para o final.

 

 


 

  6º ENCONTRO: (03/4/07)

Hoje algo inusitado aconteceu durante a realização das atividades na aula. Todos chegaram no Laboratório, já se dirigiram para as suas máquinas e fizeram os procedimentos que agora já conseguem realizar com mais autonomia, como: ligar os computadores, acessar a Internet e colocar o endereço em que estão realizando a busca. Passando algum tempinho, o grupo que até o momento, estava pesquisando sobre “Mulheres” me chamou e fez a seguinte colocação:

“ Professora, nós já lemos algumas coisas sobre cabelos e descobrimos que isto envolve uma coisa chamada hormônio e também descobrimos que hoje em dia têm muitos homens fazendo cirurgias, massagens e tratamentos para ficar mais bonito. Agora, nós colocamos aqui (página do google) curiosidades e apareceu dicas de como ter uma alimentação saudável. Queremos saber se precisamos continuar pesquisando sobre os tais cabelos ou se podemos saber o que é esta alimentação saudável?”

Bem, eu sentei ao lado deles e questionei se eles sabiam ou tinham entendido o que é hormônio e como eles não manifestaram resposta conversei um pouco sobre este conceito. Depois disto fui examinando se eles de fato tinham realizado alguma pesquisa sobre as suas dúvidas iniciais e eles inclusive me mostraram suas anotações até o momento. Mas sempre que falavam, remetiam-se à questões da alimentação: falavam que tinham visto uma pirâmide alimentar muito colorida que podia fazer parte do trabalho, me perguntavam se eu já sabia que era preciso tomar bastante água e assim seguiam fazendo associações.

E, tendo em vista toda esta motivação que eles estavam apresentando, concordei que eles mudassem o foco da pesquisa deles.

A reação deles foi instantânea: ficaram felizes e parece até que surpresos, pois um deles disse: “É o trabalho é diferente mesmo, porque a gente pode mudar.”

Eu retomei a conversa com eles e expliquei que o que eles estavam fazendo não era uma simples mudança, mas que de fato eles haviam investigado e conseguido aprender coisas novas sobre um determinado assunto.

Depois disso, eles retomaram o seu trabalho pensando sobre o que gostariam de estudar dentro da Alimentação e eu os deixei conversando no grupo, enquanto atendia os demais alunos.

A turma estava em busca de informações e a dificuldade maior foi percebida no grupo sobre Guerras. Sentei um pouquinho com eles e pude perceber que eles não conseguiam associar os lugares onde tinham acontecido guerras, eles falavam na região européia sem uma noção da onde ficava aquele lugar e isto era incômodo no grupo. Então, mostrei um mapa para eles visualizarem onde estava situado o nosso estado, o Brasil e onde ficavam estes outros países citados no texto; a partir disto, percebi que as informações ficaram mais “claras”, mas o grupo ainda questionava muito sobre a quantidade de guerras que já existiu e que acontece até hoje. Um aluno do grupo fez referência à competição entre as pessoas como fator que ocasiona uma guerra. Pedi para que ele me explicasse melhor isto e ele falou que as guerras entre países começam na maioria das vezes por causa da inveja que um tem do outro, um é mais rico, o outro mais pobre, só que quem manda num país é uma pessoa e, muitas vezes é esta pessoa que leva seu país para uma guerra.

Conversamos mais um pouco e eu deixei eles a vontade para discutir sobre estas questões no grupo.

Voltei ao grupo da Alimentação e eles já tinham determinado o que pesquisar, queriam saber primeiramente o que era uma Alimentação Saudável e a busca recomeçou deste ponto.

Quando terminou o nosso tempo, a maioria dos alunos queria ficar trabalhando tiveram resistência para voltar para a sala de aula.

 


09/4/07Não teve atendimento porque a turma foi participar da Solenidade de Abertura de um projeto a ser desenvolvido na comunidade.

 


  7º ENCONTRO: (12/4/07) 

Hoje fomos para o laboratório e antes de eles iniciarem a digitação do que foi pesquisado, propus uma conversa com o grupo todo para que eles dessem conta do que foi aprendido até agora, se estavam de fato procurando respostas para suas dúvidas, quais eram as novidades descobertas até o momento e se ainda existia alguma dificuldade.

Pelo menos um componente de cada grupo falou um pouquinho e o pessoal do grupo dos carros e dos índios quase monopolizou a conversa, pois falaram sobre o que tinham aprendido e os demais colegas começaram a perguntar, despertou a curiosidade do grande grupo.

Considerei muito produtiva esta situação, nem eu esperava que se tornasse uma “mesa redonda”; foi fantástico.

Depois disto, eles começaram a digitação dos dados que haviam coletado durante a pesquisa e aí começou uma outra situação: eles não têm a familiaridade com o teclado e é tudo muito lento. Em alguns grupos todos querem digitar ao mesmo tempo, já em outros, ninguém quer porque tem vergonha do colega. Foi preciso uma boa conversa, explicar que todos nós estávamos ali para aprender, que até a professora não sabia digitar tão rápido assim. Conseguimos começar este processo e revisamos algumas dicas de teclado, tipo: onde fazer letra maiúscula, uso dos acentos, como colocar novo parágrafo, colocar parênteses e sinais de pontuação; registrei estas dicas no quadro e deixei lá para facilitar o andamento do trabalho.

 


 

 8º ENCONTRO (13/4/07)

 

 Chegamos no laboratório e eles prontamente, com seus registros, foram para suas máquinas continuar a digitação, em geral não tivemos problemas e hoje eles estavam mais concentrados (ou melhor, entretidos) com a digitação. De todos apenas duas resistências: uma no grupo Carros, pois todos os meninos – que já estão divididos em duas máquinas – querem digitar ao mesmo tempo, querem que cada um digite uma palavra do texto, e outra, no grupo Guerras onde nenhum dos participantes quer ocupar o teclado, pois um dos colegas ri da forma como digita.

Bem, no grupo dos Carros conversamos e combinamos que cada um digitaria pelo menos uma parte do trabalho, então pegamos as anotações e fizemos uma divisão. Já no grupo das Guerras, abri o Word e “brincamos” um pouquinho com o teclado, eu digitei algumas frases, pedi para que cada um digitasse alguma coisa e, aos poucos, de forma tímida, iniciaram o trabalho.

Ao final do encontro, fomos salvar os textos em disquetes realizamos uma espécie de passo a passo e a maioria dos grupos conseguiu salvar sozinhos, apenas dois grupos precisaram da minha ajuda; entretanto, a maior parte dos grupos não conseguiu concluir a digitação. Ficaram angustiados e queriam saber se poderiam terminar no próximo encontro. Combinamos que na próxima aula, quem não havia terminado teria um tempo para isso e, aqueles que já haviam concluído iriam construir o segundo mapa.

 

 

 


 

 9º ENCONTRO (17/4/07)

 

 Quando cheguei na sala para levá-los até o laboratório, a euforia foi total. Gritaram: “Viva!! Ehh!!” , estavam animados.

Lá no laboratório, os grupos que precisavam concluir a digitação fizeram-na, o grupo dos índios e o dos carros partiu para a construção do mapa. Dessa vez, eles quiseram “mexer” mais nos botões do CmapTools e pediram a minha ajuda para colocar cores e mudar a forma das caixas de conceitos.

Ao final do encontro, estes dois grupos estavam com os mapas prontos e todos os outros já tinham terminado a digitação, fizemos o mesmo procedimento para salvar no disquete. Apenas nos mapas conceituais que eu fiz o procedimento porque é preciso primeiro exportar a figura como imagem, e numa tentativa, os alunos quase perderam toda a construção.

À tarde, os alunos que já tinham concluído os seus mapas, foram ajudar os colegas que ainda precisavam fazer a segunda versão do seu mapa, a atividade “fluiu” muito bem e o mais interessante, é que eu não pedi este auxílio para eles, foram os próprios alunos que se manifestaram. Eu inclusive tinha planejado para que estes dois grupos fossem pesquisando as imagens que queriam colocar nos seus trabalhos, mas os deixei como monitores e funcionou muito bem.

Ao final, passei salvando os mapas nos grupos e conversamos um pouco sobre as atividades desenvolvidas naquele dia – já que havíamos trabalhado pela manhã e à tarde – os alunos “monitores” estavam muito contentes dizendo que tinham gostado de ajudar os colegas e os colegas não se sentiram melindrados pela ajuda que receberam um ainda disse: “Foi bom o Nicolas nos ajudar, porque assim a gente não precisou ficar esperando muito tempo pela professora que é uma só!”

 

 


 10 º ENCONTRO (20/4/07) 

 

Pela manhã a turma veio até o laboratório (inclusive alguns chegaram bem antes do horário combinado) e nós conversamos um pouquinho, até que todos chegassem. Eles queriam saber sobre preço dos computadores, como é que a gente faz para trabalhar com computadores, diziam que o meu trabalho devia ser muito legal porque eu mexo bastante com computadores... Enfim, queriam falar sobre alguns aspectos da vida deles que, no momento, não permite que tenham acesso a uma máquina.

Depois disto, começamos o trabalho, pesquisando imagens na Internet e salvando nas máquinas para, mais tarde colocar no trabalho. Eles selecionaram diversas imagens dentro de seus assuntos e então, fomos para o wiki. Expliquei que agora que o trabalho tinha adquirido forma, ou seja, que nós havíamos pesquisado, conversado bastante, discutido as idéias sobre o assunto, nós iríamos colocá-lo numa página da Internet. Todos ficaram curiosos e a Bianca disse o seguinte: “Tá professora, então me dá o endereço porque a minha prima tem computador em casa com Internet e quando eu for visitar ela eu quero mostrar meu trabalho.”  

Esta fala chamou muito a minha atenção, porque até o momento eu estava pensando em maneiras de deixar claro, de exemplificar como estaria disponível o trabalho deles na Internet e, simplesmente, com esta colocação os demais associaram e entenderam de fato o que eles iriam publicar.

Só que no trabalho da edição dos wikis não foi fácil atender a todos. Trabalhei com o grupo dos carros como copiar e colar do word para o wiki e eles fizeram uma parte legal, mas depois deletaram o que tinham feito no wiki e não conseguimos recuperar. Tivemos que voltar para o grande grupo e conversar para organizar o trabalho para o próximo encontro.

Ajustamos da seguinte forma: no dia 23/4 teremos mais um encontro, onde virão dois grupos por horário, eles concordaram mas ainda estavam preocupados se conseguiriam colocar seus trabalhos numa página da Internet, se não iriam perder o que tinha sido feito. Expliquei que se nós salvássemos o que estava pronto até agora, não corríamos este risco.


 Encerramento:

Conforme havíamos combinado, voltamos ao laboratório para a publicação das páginas. Desta vez já estavam mais calmos e tinham entendido melhor o processo, por isso o trabalho foi mais tranqüilo.

Publicamos os trabalhos, mas levamos um pouco mais de tempo que o previsto; pois eles também queriam colocar as fotos que tínhamos tirado na sala de aula em outros momentos.

Ficaram felizes e anotaram o endereço do trabalho, apenas lamentaram não ter como mostrar aos familiares.

 

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